Las Medulas

 

 Já algum tempo que andava para visitar este maravilhoso local, como estava em Santiago de Compostela a caminho dos Picos da Europa, pensei logo, é desta que vou passar por lá.



Esta paisagem não é natural. É o que restou das montanhas após 200 anos de exploração de ouro, mais propriamente desde finais do séc. I a.C. até finais do séc. II d.C.

Las Medulas ficam a cerca de 150 kms a norte de Bragança, como vêm fica relativamente perto da fronteira este local que é Património da Humanidade devido à sua beleza e interesse cultural único e são as maiores minas de ouro a céu aberto do Império Romano. 

Colocando no GPS "Las Medulas" facilmente se chega à pitoresca aldeia com o mesmo nome, as suas casas baixinhas feitas em pedra, umas estão transformadas para o comércio outras ainda de habitação. Ao caminhar-se pelas ruelas da aldeia cruzamo-nos com galinhas que por ali andam nos seus afazeres. 

Para se visitar mais de perto as Las Medulas temos que fazer os trilhos existentes que são de baixa dificuldade. Eu optei pelo Trilho de las Vañilhas. 

O trilho de Las Valiñas é um dos cinco percursos pedestres disponíveis para se ver de perto Las Médulas e provavelmente aquele que melhor nos permite conhecer as maiores minas do mundo romano, já que percorre a principal zona de exploração mineira. 




Assim que começamos o trilho, os enormes castanheiros saltam-nos logo à vista, alguns já bem antigos mas carregados de ouriços prontos para largar as tão saborosas castanhas. 





As principais atrações deste trilho são La Cuevona e La Cueva Encantada, duas grutas misteriosas com cerca de 30 metros de altura, que nos permite observar de perto o resultado das minas e compreender a sua verdadeira dimensão, mas ainda tinha que andar mais um pouco até lá chegar. De resto, todo o percurso é um prazer para os olhos e para o olfato. Para além dos grandiosos picos de terra alaranjada, passear pelo meio de bosques de castanheiros seculares, com enormes troncos de formas estranhas e retorcidas plantadas pelos romanos à milhares de anos e ainda hoje cheias de folhas, realçando ainda mais o dourado das montanhas. 

Ao longe via-se aqueles montes de cores alaranjados conforme também a sua exposição ao sol. Um contraste de grande beleza entre a cor das folhas das árvores e a terra rasgada pela loucura da extração do minério tão precioso.




Mas como tudo isto surgiu assim perguntam vocês. 

À semelhança das outras minas em que se perfura a terra para dela se extraírem metais preciosos, em Las Médulas também se cavaram túneis e galerias dentro das montanhas, mas para as encher progressivamente de água. Graças à construção de uma extensa rede de canais que ainda hoje existe, a água era conduzida das zonas mais elevadas e acumulada dentro das montanhas de argila. A sua força acabava por rebentá-las, permitindo assim aceder ao ouro que existia no seu interior, técnica a que os romanos chamaram "Ruina Montium"  ou colapso do monte. Depois do monte ruir, utilizava-se mais água para lavar os amontoados desfeitos e canalizar a lama por umas calhas de madeira onde se filtrava o ouro. A acumulação dos excedentes daí resultantes está na origem de Carucedo e Sumido, dois lagos artificiais que ainda existem nas proximidades, aos quais se pode ir a pé.                    Se atualmente não resta nenhuma "Ruina Montium" completa, algumas galerias e túneis das minas são ainda visíveis, junto ao miradouro de Orellán encontramos a entrada para uma dessas galerias e pode ser visitada.

E finalmente chega-se ao "ponto alto" deste trilho, a La Cuevona e La Cueva Encantada estão ali mesmo à minha frente.



Agora era começar a descer em direção à aldeia parar num dos cafés para refrescar a garganta e depois seguir até ao miradouro de Orellán e observar toda aquela beleza de um dos pontos mais altos da mina. Para chegarmos a este miradouro podemos faze-lo a pé através do trilho ou de carro. 

Chegados ao miradouro acho que é a melhor maneira de contemplarmos toda aquela beleza que foi originada pela "industria" da altura dos Romanos. É lindo todos aqueles contrastes provocados pelas cores da terra e das árvores que povoam o vale que nasceu devido ao desmoronamento de toda aquela zona.






Pode se dizer que estamos perante um "Grand Canyon" da Península Ibérica mas com origem humana e não provocado pela natureza, a sua área também é muito mais pequena mas com algumas parecenças. 

Valeu a pena ir às Las Medulas ...






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